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Nº 32 | Março/ abril de 2010
Artes

E do barro se fez... Arte: O ceramista Alberto Cidraes

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De 1993 a 2002 dedica-se ao ensino de Design e Arquitetura na KIDI (Kanazawa International Design Institute), sua “mais longa e rica experiência na atividade docente [...] Apoiada num corpo docente tricontinental de japoneses, europeus e americanos com grande diversidade de visões e abordagens a escola conseguiu um resultado que sempre comparo à primeira fase da Bauhaus pelo humanismo de espírito Arts and Crafts Movement que nos animava. Transformávamos teenagers globalizados, habituados ao cultivo do banal [...] em embriões de Designer talentosos, motivados, aptos criadores e executantes, com preparação filosófica e conceitual para enfrentar o mundo. Com esse tipo de experiência o ensino se torna para o professor um vício e uma paixão”.

Ao sair do Japão, Cidraes ministra, como professor convidado, um curso de Design Digital na Faculdade de Arte da Universidade de Xangai, antes de retornar para Cunha, em novembro de 2002.

Sobre a sua arte em cerâmica, Alberto Cidraes assim destaca a importância do barro como matéria-prima e da cabeça humana como tema:

“O barro, humilde componente do chão que pisamos, metamorfoseado pelo gesto da mão e pelo calor do fogo mimetiza os processos ígneos do interior da Terra, originando objetos que transitam entre a utilidade e o sonho...” [...] “Atraído pela arquitetura da cabeça humana ela foi desde o início meu tema principal de trabalho em cerâmica. Invólucro da mente, como a casa é invólucro do ser, o paralelismo entre as duas sempre chamou minha atenção e foi a razão principal da escolha da simetria relativa como tema e estrutura formal em meu trabalho”.
Atualmente, em Cunha, Cidraes alterna suas atividades entre produção de peças, exposições e, como ativo membro do Instituto Cultural da Cerâmica de Cunha, fomento da arte cerâmica na região e no país.

Na data de seu 65º aniversário, a singela homenagem de O Lince.

Há uma indissociabilidade histórica e técnica entre a arte cerâmica em Cunha-SP e a vida profissional e artística de Alberto Cidraes, este lusitano nascido na pequena cidade de Elvas, em 20 de abril de 1945. E ela se inicia pela formação acadêmica do artista.

Após cursar arquitetura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, o jovem Cidraes recebeu uma bolsa de estudos do governo japonês para fazer pesquisa de pós-graduação na Universidade de Kyushu. Suas investigações versariam a habitação tradicional e a arquitetura de madeira no Japão.

Influenciado por um de seus professores, em 1972 começa a se envolver com a arte cerâmica visitando aldeias do interior do Japão e freqüentando ateliers de vários ceramistas. “Acabei sendo cativado pelo barro como material, a cerâmica de alta temperatura como processo e o forno Noborigama como ícone, representando a meus olhos inexperientes a primeira síntese entre arquitetura e cerâmica, com resultados mágicos”, relembra. “Assim, encetei uma carreira na área da cerâmica, sem, no entanto, abandonar a arquitetura”.

No ano seguinte transfere-se para o Brasil, instalando-se primeiramente em São Paulo e, depois, em Salvador. A permanência na Bahia é breve, mas suficiente para que formasse, com outros três artistas, o grupo Takê (bambu, em japonês). Por um período o grupo cuidou de criar objetos de som fazendo uso de bambu, ossos e outros materiais naturais reaproveitados.

Da Ilha de Itaparica para São Paulo, monta seu atelier no ex-matadouro de Cunha.

Em suas próprias palavras:

“Em 1975 aconteceu Cunha. Hoje uma referência em cerâmica de arte no Brasil, era, na altura, um povoado isolado de montanha, com alguma tradição no caminho do ouro e uma arquitetura colonial semi-obliterada, vivendo no centro o triunfalismo burguês de um modernismo brasileiro versão caipira e nos bairros uma construção modesta, espontânea, popular, de cores, materiais e processos de construção tradicionais, uma cidade se formando como as cidades medievais: naturalmente.”

Entre idas e vindas entre o Brasil e a Europa, nas alterosas de Cunha, Cidraes permaneceu até receber o convite para organizar o Departamento de Cerâmica da AR.CO, uma escola de artes de Lisboa. Dirige a unidade até 1990 quando recebe novo convite para seguir, como bolsista, para o Japão, desta vez atuando na Universidade de Arte de Kanazawa e no Centro de Artes Tradicionais de Utatsuyama.

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