Sobre as faces eretas da torre
Os relógios repousam solenes.
Quatro medidas desalinhadas,
Quadrantes quebrados do tempo.
No desencontro dos ponteiros,
As estações se multiplicam nos segundos
E esquadrinham as desajustadas vidas
A erguerem a face na busca de um guia.
Zênite sem norte,
Vidas e horas se misturam
No caleidoscópio da existência
Em um tempo indisciplinado.
Num movimento revolto,
As engrenagens insurretas
Deixam de ser engenhos
E abandonam toda lógica.
Nos relógios quebrados da torre,
Toda razão é non sense
Toda ordem é ridícula
Todo ajuste é inútil.
Expandido, o tempo retoma as rédeas.
Faz-se flecha a penetrar os corpos
Agora livres do senhorio relógio,
Autor maior das vidas quebradas.
O tempo não tem engrenagens,
A vida não cabe em máquinas.
Léa Oscram aspira à poesia.
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