Memórias
Quando pequeno, com os pés descalço e as mãos atreladas, saía de anjinho nas procissões. Hoje as procissões continuam passando. O anjo… o tempo se encarregou.
Malabarismos Sociais
Todos os dias faz malabarismos pela rua. Faz circense, limpa vidros, vende balas, desvia do trânsito. Hoje o movimento foi ruim. O pai bêbado o espera em casa com malabares na mão.
Calvário
Todos os dias ele chegava bêbado. Todos os dias eu apanhava. Depois vinha com chamego, me chamando de minha negrinha. Acostumei e nem chorava mais... Certa noite, a bêbada era eu. Então, martelei aquele desgraçado. No velório, com muito estilo, chorava ao lado do meu cunhado João, aos pés da minha cruz.
Jesus Mastercard est
Cansado, desceu da cruz e foi às compras.
O PAI nada fez, pois Nele habitava o livre arbítrio.
A vida como ela é
Após pedir uma garrafa de Blue Label e dois copos, ele acende os cigarros. Enquanto os gelos dançam embalados pelo anular, fantasia o encontro com um monólogo Rodriguiano.
José Cláudio Mota da Costa é graduado em Letras pela Fatea/Lorena.
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