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Nº 29 | Setembro/Outubro de 2009
Artes
De Rerum Natura: A Arte de Antonio Galvão | Alexandre Marcos Lourenço Barbosa

O apelo bucólico das telas de Antonio Galvão reconduzem à simplicidade de um mundo ainda vivo. Um mundo interiorano e roceiro escapulindo, com suas brejeirices, do frenesi da pós-modernidade. Suas pinturas compelem a desacelerar o ritmo da vida para que não se perca a oportunidade de gozá-la em um tempo lento ditado pelo movimento das coisas naturais.

É evidente que as cenas ad naturam, geralmente campestres, dos quadros do artista provocam reações distintas nos espectadores. De um lado, são imagens a provocar curiosidades sobre um mundo a que não se pertence, e de outro, são registros a despertar memórias e sentimentos de um passado que se faz lembrança.

Portador de apurada técnica, o artista apresenta um estilo que lembra o romantismo do pintor inglês John Constable. É bem verdade, entretanto, que a pujança de luz que caracteriza a tropicalidade brasileira contrasta com a sobriedade acinzentada das paisagens britânicas, fazendo que a similitude permaneça no tema. De resto, a pintura de Antonio Galvão diverge numa profusão de cores vivas e luminosidade intensa sem perder a suavidade.

As pinceladas cuidadosas e harmoniosas do artista fazem transparecer um mundo interior repleto de reminiscências da época em que vivia na aprazível Campos Novos, distrito de Cunha-SP, onde nasceu, em 1931, e passou a infância envolto em um ambiente de beleza inspiradora. Foi ali que o menino Antonio traçou seus “primeiros rabiscos”, como ele próprio diz, em folhas de papel jornal.

Pouco tempo depois estava a desenhar, sob encomenda, figuras de santinhos coloridos com lápis de cor, para as festas juninas do povoado. Esboçava-se uma precoce trajetória artística, mas a dificuldade da vida no campo trazia a inevitável sina do trabalho prematuro e Antonio abandonou os desenhos, atrasou os seus estudos e consumiu integralmente o seu tempo saldando compromissos e cumprindo responsabilidades.

Aos vintes anos, estimulado por um amigo pintor, ainda tentou, como autodidata, produzir algumas telas à óleo, mas motivos familiares interromperam definitivamente a experiência.

Somente a partir de 1977, já residindo em Guaratinguetá-SP e atuando como professor de Geografia na rede pública paulista, é que Antonio resolveu continuar o trabalho interrompido há mais de um quarto de século.


(Clique na imagem para ampliar)

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Recebeu algumas aulas do professor Sebastião Falciano com quem aprendeu algumas técnicas e uso de novos materiais. Afora isso, só o autodidata.

A partir de então, passou a produzir telas num ritmo cada vez mais intenso. Desde 1985, foram seis exposições individuais e 21 mostras coletivas.

As mostras individuais aconteceram em Guaratinguetá, Cunha, Cachoeira Paulista e Goiânia.

Das participações em coletivas cabe destacar a medalha de bronze, em 1990, no Salão Municipal de Artes Plásticas Professor Ernesto Quissak, em Guaratinguetá-SP, o prêmio aquisição e a medalha de prata no mesmo Salão, em 2006, a menção honrosa no VI Salão de Artes Plásticas de Lorena, no mesmo ano, e menções honrosas pela  participação em quatro etapas do Circuito Internacional de Arte Brasileira realizadas na Itália, Espanha, Inglaterra, Portugal, Áustria, Hungria, Eslováquia, Brasil e Argentina.

Hoje, aposentado no magistério público, do alto de seus quase oitenta anos, o experiente mestre Antonio Galvão Netto continua a esbanjar vitalidade e disposição.

Dedica todo o seu tempo à família e à pintura. Pinta diariamente, ministra cursos a um pequeno grupo de alunos e, principalmente, contagia com a alegria e a humildade que lhe são pecu-liares as pessoas que têm o privilégio de estar entre os de sua convivência.

Mestre da arte e da vida, Antonio Galvão é, em si, lição de paciência e persistência na adversidade, virtudes cada vez mais ausentes de nossas vidas. Resta-nos aprender.

Alexandre Marcos Barbosa Lourenço
alexandre@jornalolince.com.br

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