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Ano 3 | Nº 29 | Setembro/Outubro de 2009
Meio ambiente
Falando das árvores | Alcinéia Guimarães de Castro1

Com a chegada da primavera e do dia da árvore, não poderíamos deixar de saudar as árvores brasileiras, que por sinal são muitas, considerando que o Brasil é o país da megadiversidade biológica e ocupa a primeira posição em número de espécies de Angiospermas, aquelas plantas que produzem flores e frutos, como os nossos conhecidíssimos ipês, jequitibás, sibipirunas, paineiras e jacarandás.

As árvores sempre fizeram parte da história do Brasil, infelizmente uma história relacionada à exploração, como a do pau-brasil e a da devastação dos nossos ecossistemas: Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia, onde muitas delas são derrubadas, para exploração madeireira ou aproveitadas na produção de alimentos, medicamentos, borracha, resinas, xaropes, combustível e também como matéria prima na produção de artesanatos, chás, tecidos e cortiças. O homem, sucessivamente, encontrou nas árvores os mais variados produtos, considerando que, praticamente, todas as suas partes, como: tronco, raiz, folha, flor e fruto possibilitam as mais amplas aplicações.

As árvores são peças importantes na manutenção da vida, na maioria dos ecossistemas e, de extrema importância para a sobrevivência humana no planeta Terra. Talvez devido a essa estreita relação com o homem, ela tornou-se símbolo nacional, muitas vezes representando a fertilidade, a abundância, a imortalidade, o bem e o mal. O nome popular de algumas árvores tem sido adotado como símbolo em inúmeras situações, representando países, cidades, universidades, projetos e sobrenomes. Esse fato ocorre devido a sua frequente ocorrência em determinada região, ou a sua importância. Na Bíblia, elas são citadas como símbolos inúmeras vezes.

Podemos destacar algumas árvores-símbolo no Brasil e no mundo, como o ipê-amarelo (Tabebuia chrysotricha), com suas folhas verde-escuras e suas flores amarelas, considerado a árvore-símbolo do nosso país, apesar de a maioria das pessoas pensarem ser o pau-brasil (Caesalpinia echinata), importante devido a sua história, dando origem ao nome do Brasil. O jequitibá-rosa (Cariniana legalis), por ser uma árvore nativa da Mata Atlântica do interior, apesar de ameaçada de extinção, foi escolhido como árvore-símbolo do Estado de São Paulo pelo porte majestoso e altura de gigante.


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O guapuruvu(Schizolobium parahyba) é a árvore-símbolo do Vale do Paraíba, por possuir no nome científico a palavra parahyba. A araucária (Araucaria angustifolia) é a árvore-símbolo do Estado do Paraná, estando representada na bandeira do estado e nos brasões de seus vários municípios. O cajueiro (Anacardium occidentale) é a árvore-símbolo de Aracaju e seu nome é originário da língua Tupi (ara-caiu) que significa cajueiro do papagaio. O buriti (Mauritia flexuosa) é a árvore-símbolo de Brasíia, sendo escolhida com o objetivo de preservação e conservação desta palmeira; seu nome foi dado à sede da administração do Distrito Federal, o Palácio do Buriti. A erva-mate (Ilex Paraguaiensis) é a árvore-símbolo do Estado do Rio Grande do Sul, devido à sua importância econômica, pois suas folhas são extraídas para produção do chá.

No mundo, podemos destacar o acer "maple tree", do gênero Acer, que é a árvore-símbolo do Canadá e sua folha foi introduzida na bandeira deste país. O baobá (Adansonia digitada) é símbolo do Senegal, onde é considerado sagrado e sinônimo de longevidade, pois vive mais de cinco mil anos e simboliza força e tranqüilidade. O carvalho é símbolo da França, citado por Antoine de Saint-Exupéry, no livro “O pequeno príncipe”. O cedro (Cedrus libani) é símbolo do Líbano e está associado à eternidade, representando a força e imortalidade.

É justo reverenciarmos as árvores, que pela sua beleza e proficuidade se tornaram símbolos e fazem parte da história de vários países e de seu povo.

1Alcinéia Guimarães de Castro é Bacharel em Engenharia Florestal, no ano de 1993 pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e Mestre em Ciências Ambientais e Florestais, também pela UFRRJ, no ano de 2001. Engenheira Florestal do Instituto Florestal / SMA, desde 1994. Professora da Faculdade de Roseira e da Escola Fazenda Boa Vista, desde 2006.


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