A pesquisa que apresentamos teve como objetivo geral buscar o entendimento de uma complexa realidade que marcou uma cidade num determinado período histórico, por meio de uma incursão num conjunto variado de fontes primárias e secundárias, buscando compreender ações individuais e coletivas (sujeitos e instituições) que, em permanente tensão, disputaram a hegemonia nos campos da cultura e da educação, mais especificamente da educação escolar.
A pesquisa partiu do pressuposto de que o impacto que a cidade de Taubaté sofreu no período compreendido entre as décadas de 1950 e 1960 do século passado, período de profundas transformações no Brasil, conviveu com um conjunto de tradições que a própria cidade criou em seu processo de construção histórica. Em outras palavras, o real não pode ser visto como um conjunto de fatos previamente dados. Ele é fruto de um processo de longa duração, a soma acumulada de experiências conflituosas e traumáticas.
Nesse universo, a tradição assume uma importância fundamental na explicação do moderno em curso. No caso da cidade de Taubaté, com suas especificidades históricas, particularmente no tocante ao vínculo que pretendemos estabelecer entre modernização, urbanização, industrialização, escolarização. Na dialética urbano-rural, laico-católico, científico-filosófico, novo-velho, poderemos detectar um feixe de possibilidades do real.
O período histórico privilegiado por esta pesquisa é o das décadas de 50 e 60 do século XX. A cidade em questão é Taubaté, situada no Vale do Paraíba paulista. As razões que explicam tal escolha serão esplanadas no decorrer do texto.
Nesse sentido, elegemos uma heterogeneidade de fontes primárias, na tentativa de “apanhar” a complexidade de Taubaté nas décadas de 50 e 60, bem como as experiências de diferentes sujeitos. No decorrer do processo de investigação desenrolado até aqui, fomos percebendo a necessidade de ampliar o nosso olhar. Contexto e processo num diálogo permanente e dialético. Buscar os significados históricos no âmbito de sua concretude, sem, contudo, negligenciar a força propulsora do processo.
Além da imprensa laica e católica da cidade, da documentação primária que conseguimos reunir sobre algumas escolas católicas e instituições de leigos, selecionamos alguns sujeitos que, cada um ao seu modo e impactados pelo tempo histórico de suas vivências, formaram-se professoras na Escola Normal Livre Nossa Senhora do Bom Conselho e nas outras duas escolas normais existentes na cidade no período: a escola Normal Livre “Dolores Barreto Coelho” e o Colégio e Escola Normal “Monteiro Lobato”.
De início, acreditávamos na centralidade da escola católica dirigida pelas irmãs de São José de Chambery, o tradicional Bom Conselho, que em 1954, criou sua escola de formação de professoras. Trabalhávamos com a hipótese segundo a qual esse colégio teria sido um elemento aglutinador das práticas católicas no interior da cidade. A opção em “olhar” para além do Bom Conselho viabilizou-se no processo de nossa investigação. Mais uma das armadilhas das chamadas “fontes”.
Fomos verificando que a dinâmica da cidade, e com ela o processo de construção de parte da história da educação brasileira, pela via da formação dos docentes, a escolarização em geral e a educação cultural por meio da imprensa escrita, na cidade de Taubaté.
1Professor Assistente Doutor da Universidade de Taubaté – Instituto de Humanidades. Coordenador do Centro de Documentação e Pesquisa Histórica da mesma universidade.
E-mail: mauro_castilho@uol.com.br
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