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Nº 29 | Setembro/Outubro de 2009
Retrato
Cassiano Ricardo: o poeta e o político

Literariamente, é inegável a contribuição do poeta Cassiano Ricardo, que esteve envolvido nos principais movimentos literários da primeira década do século XX. O que poucos sabem, no entanto, é que este intelectual demarcou inexoravelmente sua presença na política brasileira principalmente dos anos 20 ao 40, trabalhando ativamente para a construção de um governo fortemente centralizado, assim como foi o chamado Estado Novo de Getúlio Vargas (1937 – 1945).

Como sabemos, Cassiano nasceu em São José dos Campos no ano de 1895, durante a infância estudando no Grupo Escolar Olimpio Catão, e na adolescência rumando para São Paulo e depois Rio de Janeiro a fim de cursar direito. Na então Capital Federal, possivelmente foi o período em que teve maior contato com a teoria positivista e com o estilo parnasiano. Da primeira, absorveu a concepção da sociedade como corpo social, bem como de que a sociedade e a história evoluem naturalmente, não cabendo intervenção nem ímpeto revolucionário de seus agentes, enquanto Olavo Bilac, grande incentivador do alistamento militar obrigatório e compositor de diversas marchas do exército brasileiro fora-lhe um grande modelo, não só como poeta, mas principalmente por seu civismo e sua atuação como intelectual envolvido nas causas políticas, como o “poeta soldado”.

O chamado de Cassiano Ricardo aos intelectuais a se engajarem nas causas públicas, na defesa da "originalidade da cultura brasileira" será uma tônica em suas obras, principalmente nos anos 30. Acerca deste intelectual engajado, Mônica Pimenta Velloso discorre:

"De inimigo do Estado, o intelectual deve se converter em seu fiel colaborador, ou seja, ele passa a ter um dever para com a pátria. O nome de Olavo Bilac é constantemente mencionado como um exemplo a ser seguido pela intelectualidade, uma vez que teria colocado a arte e a cultura a serviço da nação. Preocupado com a “educação cívica e sentimental das massas”, este intelectual é alvo dos maiores elogios por parte dos ideólogos do regime. Defendendo o Exército como força educativa disciplinadora e elegendo o senso de dever e obediência como valores supremos da nacionalidade, a figura de Bilac é recuperada como modelo de intelectual brasileiro (Velloso, 2003: 155)."


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Na década de 1920, Cassiano Ricardo abandona o parnasianismo e adere ao modernismo. Em meio a toda heterogeneidade do movimento e suas diversas maneiras de compreender a realidade brasileira, se junta a Plínio Salgado, Menotti Del Picchia, entre outros, no chamado “Movimento Verde-amarelo”. Importante notar que dentre as várias vertentes modernistas, esta era a mais conservadora, afirmando que o Brasil somente encontraria sua “verdadeira” identidade quando eliminasse toda influência européia, protegendo o chamado “tesouro da brasilidade”, ou seja, a originalidade e diversidade da cultura brasileira.

Desta forma, o movimento se imbui da tarefa quase divina e apostólica de ser um verdadeiro guardião da “brasilidade”, pensando somente um governo centralizado e autoritário ser capaz de proteger nossas fronteiras “territoriais e espirituais”, visto que somente conseguiríamos “sentir nossa originalidade” quando não mais tivermos contato com as ideologias estrangeiras, que agiam como obstáculos para a afirmação da verdadeira identidade nacional.

Relevante ressaltar que Cassiano Ricardo e Plínio Salgado despontarão anos mais tarde como grandes teóricos autoritários, um militando no movimento Bandeira e o outro sendo o líder máximo da Ação Integralista Brasileira.

Alessandro Santana Cunha é graduado em História e pós-graduado em Cultura Brasileira pela Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP).

Para ler o texto completo, baixe a versão em pdf clicando na imagem abaixo.

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