José Brito Broca nasceu em 1903, em Guaratinguetá, São Paulo. Desde cedo já demonstrava grande interesse pelos livros e pela literatura. Em 1923, formou-se pela Escola Normal. Ainda estudante, escreveu as primeiras crônicas no Correio Popular (fundado em 1914) e O Farol (fundado em janeiro de 1924, o jornal criticava a prefeitura e a Câmara de Guaratinguetá), jornais de sua cidade. Nessa época, enviou textos para periódicos cariocas, as revistas Fon-Fon! e Para Todos. Além disso, assistiu às conferências de festejados escritores que passaram por Guaratinguetá. Em 1922, ouviu Coelho Neto no Clube Literário da cidade. Anos mais tarde, em 1958, publicaria minuciosa pesquisa sobre o “Príncipe dos Prosadores” na Revista do Livro. No mesmo ano de 1922, vindo da Semana de Arte Moderna, Menotti Del Picchia deu o ar da graça na promissora cidade do Vale do Paraíba.
Em 1924, Brito Broca mudou-se para São Paulo. Em 1927, passou a trabalhar na redação de A Gazeta e a conviver com escritores e intelectuais na capital paulista, como Monteiro Lobato e Cassiano Ricardo. Reencontrou Menotti Del Picchia, que, em meio a discussões sobre o modernismo, indicava-lhe leituras de autores contemporâneos.
Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, Brito Broca retornou à terra natal. Nesse período de “exílio provinciano”, dedicou-se à leitura, lendo e relendo cerca de duzentos livros, conforme relata em suas memórias.
Regressando a São Paulo, assumiu, em 1935, a seção literária de A Gazeta (periódico paulistano fundado em 1906). No final de 1937, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ocupou o cargo na Comissão de Doutrina do Regime, e depois, assumiu o posto de redator na Livraria José Olympio Editora. Além disso, continuou escrevendo na sucursal de A Gazeta.
Na antiga capital federal, encontrou um ambiente propício para exercer sua atividade literária, colaborando em vários periódicos e entrando em contato com escritores e críticos que ali se concentravam. Entre eles, conviveu com Otto Maria Carpeaux no Correio da Manhã, onde discutiam a respeito da grande paixão de ambos: a literatura.
O interesse literário de Brito Broca não se restringia somente ao Brasil. Seu primeiro livro publicado, Americanos (1944), revelou autores do continente pouco conhecidos do público brasileiro. Na sua viagem a Buenos Aires, em 1946, como correspondente do suplemento “Letras e Artes”, de A Manhã, entrevistou escritores argentinos como Francisco Romero, Eduardo Mallea, Benito Lynch e outros. Dois anos mais tarde, embarcou rumo à Europa. Em Paris, conversou com Roger Caillois, e em Lisboa, com João Gaspar Simões.
Durante as décadas de 1940 e 1950, Brito Broca escreveu intensamente para jornais e revistas, tornando-se um caso singular no meio intelectual brasileiro: um exemplo quase único de escritor que vivia exclusivamente do jornalismo literário.
Acumulava vasto material com a multiplicidade de assuntos, autores, de várias nacionalidades e épocas, abordados nos textos espalhados em periódicos. E, em 1956, com a publicação de A vida literária no Brasil 1900, concentrou-se em um estudo detalhado da literatura brasileira nos quinze primeiros anos do século XX.
Segundo Brito Broca, esse seria o terceiro volume de um conjunto de obras sobre a vida literária no Brasil: o primeiro abordaria o período colonial; o segundo, o Romantismo; e o quarto, o Modernismo. Porém, a sua morte repentina por atropelamento, em 1961, interrompeu a continuação do projeto.
O jornalista literário publicou em vida cinco livros – Americanos (1944), Raul Pompéia (1956), A vida literária no Brasil 1900 (1956), Horas de leitura (1957) e Machado de Assis e a Política e Outros Estudos (1957) – e deixou organizado Pontos de referência (1962). Centenas de artigos permaneceram dispersos em jornais e revistas, textos que, depois, foram sendo reunidos por amigos do crítico.
O conterrâneo Francisco de Assis Barbosa publicou, sob o título Memórias (1968), parte do livro inacabado de Brito Broca, Quando havia província, bem como Letras Francesas (1969), colaboração no “Suplemento Literário” de O Estado de S. Paulo.
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