O Barão e sua história
Francisco Inácio Marcondes Homem de Mello nasceu em Pindamonhangaba, interior da então Província de São Paulo, em 1º de Maio de 1837, e morreu em 04 de janeiro de 1918, na cidade fluminense de Campo Belo, posteriormente renomeada como Homem de Mello em sua homenagem.
Filho de Francisco Marcondes Homem de Mello, segundo Barão de Pindamonhangaba, Francisco Inácio representa um modelo atípico do político do período por enveredar pelo terreno da erudição histórica e geográfica, fato que marcou sua carreira política de forma notória, influenciando sua memória futura.
Martim Francisco, seu primeiro biógrafo, escreve em 1921, três anos após sua morte, o epitáfio que marcaria a reputação de sua vida: "Dos quarenta e tres milhões de minutos que viveu, o dr. Francisco Ignacio Marcondes Homem de Mello só não pensou em história quando não pensou em coiza alguma."
Verdadeiramente a vida, política e administrativa de Homem de Mello, é inteiramente envolvida com a interpretação da história e da geografia do Brasil, com análises que vão da época da Colônia, do Império até os anos inicias da República.
Em 1882, por exemplo, auxiliou o organizador do Atlas do Império do Brazil, Claudio Lomellino de Carvalho e, em 1909, editou o Atlas do Brasil. Ambas as obras resultam da coleta de materiais cartográficos inéditos, realizada por Homem de Mello quando foi encarregado de administrar as então províncias, respectivamente: em 1864, presidente da Província de São Paulo; em 1865 do Ceará; em 1867 do Rio Grande do Sul, e em 1878 da Bahia.
Das viagens realizadas por Homem de Mello, destacam-se aquelas nas quais ele coletou uma série de imagens, principalmente da atual região do Vale do Paraíba, em destaque para as cidades de Pindamonhangaba, Bananal, Silveiras, entre outras. Estas imagens foram reunidas em um Álbum Fotográfico chamado de, Província de São Paulo, que na atualidade encontra-se sob a guarda da Biblioteca Mario de Andrade, na cidade de São Paulo.
Cada imagem representa a visão de Homem de Mello do território e, em parte, de sua gente, embora não tenha sido o autor das fotografias. Um delas, por exemplo, da antiga Colônia Nova Louzã, foi-lhe presenteada pelo litógrafo Jules Martin, conhecido, entre outros feitos, por projetar o primeiro Viaduto do Chá, na cidade de São Paulo, em 1892.
O quê se percebe, nas imagens recolhidas, são as memórias de um homem apaixonado pelo território e pelo espaço cotidiano. No verso de algumas destas fotografias, Homem de Mello, desenhou uma série de croquis cartográficos. Observa-se, aqui, um olhar que reproduz a necessidade de se perceber o território, além de mapeá-lo.
A então Província de São Paulo era um local de baixíssima densidade populacional, até a segunda metade do século XIX. Além da cidade de Araraquara, revelava-se um território praticamente desconhecido. Em direção a região noroeste era muito comum encontrar mapas que por ausência de informações, oficiais ou não, estampavam a expressão: “Terrenos desconhecidos, habitado por índios ferozes”. Foi o próprio Homem de Mello um dos principais responsáveis por iniciar a modificação desta expressão ao minimizar a falta de conhecimento para a região: “Terrenos desconhecidos e habitados pelos indígenas”. Esta ação do Barão diminuiria um preconceito, pelo menos em relação aos indígenas, que existia desde 1837, quando Daniel Pedro Müller confeccionou o primeiro mapa oficial da província de São Paulo.
Futuramente outro trabalho de Homem de Mello, seu Atlas confeccionado em 1909, abolia por completo qualquer expressão classificatória para a região, inserindo inclusive uma série de cidades existentes, naquele território, desde pelo menos o ano de 1850, embora fossem praticamente desconhecidas, principalmente para o poder administrativo central.
A história, como ciência, também foi parte integrante da vida de Homem de Mello desde sua época de estudante de Direito no Largo São Francisco. Sua primeira publicação, nesse sentido, aparece no periódico acadêmico O Guayaná, editado em 1856 e organizado por Couto Magalhães. Seu artigo, intitulado "Sete de Setembro de 1822", é uma amostra de como orientaria sua vida intelectual relacionada diretamente à análise da história do país.
A Revista, publicada pela Typographia do Novo Farol Paulistano, entre junho e dezembro de 1833, representou um marco na divulgação das idéias em gestação na urbe. Na sua "Introducção",presente no exemplar de n.º 1, de Junho de 1833, os redatores esclarecem os princípios norteadores do periódico: Litteratura e Sciencia. De fato, em sua vida efêmera – apenas seis números foram publicados –, a Revista se pautou por divulgar assuntos diversificados, mas entre eles, chama a atenção o Elogio dramatico representado a 7 de Septembro no Theatro Academico, no qual os acontecimentos da Independência no Ipiranga, narrados em versos, são tratados como motivo de orgulho e distinção para o país, nos quadros políticos americanos.
Preview Media Studio™ Jardim São Paulo Aparecida, SP Tel.: (12) 3105.1763 Cel.: (12) 9148.0617 Visite o Canal Preview |
Santuário Palace Hotel Av. Getúlio Vargas, 501 Santa Rita Aparecida/SP Tel.: (12) 3105.3151 Cel.: (12) 9153.9797 Fax.: (12) 3105.4889 |
Dico, Escritório Contábil Avenida Monumental, 446 Centro - Aparecida, SP Tel.: (12) 3105.2716 |
Gustavo Lopes Rua José Monteiro Amaral, 357 Jardim Paraíba Aparecida/SP Tel.: (12) 3105.8439 Cel.: (12) 9744.1194 a.gustavo.lopes@uol.com.br |