Um grupo de cinco aventureiros iniciou em 1986 uma caminhada pela Serra do Tabuleiro, contraforte que separa os municípios de Roseira e Aparecida, no qual se encontra o ponto culminante de todo o município, a 1445 metros acima do mar.
Recentemente, retornamos com a TV Galena de Guaratinguetá e TerraXtreme Productions da Inglaterra, para registrar mais uma exploração e aventura. A parte explorada da Serra do Tabuleiro é o Contraforte que inflete para nordeste, é o espigão denominado Maciço do Jaburu, que fica mais ao sul, divisa com o município de Roseira e que se estende até o Morro do Cruzeiro, já próximo ao centro de Aparecida.
Começamos a subir às 7 horas do segundo dia do outono (21 de março 2009). O dia estava carrancudo e permaneceu assim todo tempo, mas não estragou o brilho da exploração.
Aos 748 metros acima do mar, chegamos à trilha que dá acesso à Mata do Corpo Seco. Esta mata é uma das poucas manchas remanescentes de Mata Atlântica existente na Serra do Tabuleiro, é um bioma importantíssimo onde conseguem sobreviver algumas espécies de árvores de médio porte e pequenos animais. Hoje a região está completamente devastada desde a época do ciclo do café que se estendeu de 1850 a 1870.
Ao passar pela Mata do Corpo Seco, chegamos a uma altitude de 760 metros acima do mar, onde se iniciam os eucaliptos recém-plantados, matéria-prima para a fabricação de papel. Depois que se tornou moda plantar eucaliptos, eles passaram a ser as árvores mais freqüentes, apesar de devastar ainda mais a área, pois secam muito o terreno, mas dão bom lucro pelo rápido crescimento.
Tendo percorrido 4.200 metros, iniciamos a subida dos eucaliptos a 770 metros. É uma subida árdua, pois temos que vencer um declive de aproximadamente 100 metros num percurso de 960 metros. Fizemos este trecho em uma hora.
Depois de percorrer 8.000 metros e de estar 940 metros acima do nível do mar, chegamos a um ponto onde a natureza dá um show, um verdadeiro espetáculo, em que os atores são as várias formações rochosas. Temos aqui a pedra empilhada, o corredor do sino, a pedra da baleia, a cabeça da serpente e muitas outras formações rochosas interessantes.
A formação rochosa que constitui o maciço da Serra do Tabuleiro é composta por granito-biotita-muscovita, formado a grande profundidade. Esses blocos rochosos afloraram pela ação dos terremotos e da erosão milhões de anos atrás.
A 1.045 metros acima do mar, chegamos a um maciço rochoso onde existia um marco geográfico do IBGE que foi destruído por vândalos. Deste ponto, dá para avistar, a olho nu, as cidades de Pindamonhangaba, Roseira, Potim, Aparecida, Guaratinguetá e Lorena.
É importante notar a dupla denominação da Serra do Tabuleiro. Serra do Tabuleiro é a denominação mais antiga deste contraforte. Talvez denominado assim pelos primeiros habitantes da região.
A segunda denominação da Serra do Tabuleiro é Serra do Jaburu ou Maciço do Jaburu, denominação um tanto paradoxal, já que jaburu é uma ave pantaneira, uma ave dos alagados. Mas uma teoria do Professor Benedicto Lourenço Barbosa traz uma pista para a origem desta denominação.
Segundo o Professor Benedicto Lourenço, antes do ciclo do café, toda esta região era formada por Mata Atlântica. A Mata Atlântica formava um ambiente propício para a formação de lagoas que atraía vários pássaros. As aves que viviam nos alagados do Vale transportavam ovas de peixe em suas patas e as depositavam nas lagoas do morro, aí, quando as ovas eclodiam, um variado cardápio estava à disposição das garças, biguás e jaburus.
Quando os Redentoristas chegaram a Aparecida, lá pelos idos de 1894, logo começaram a perambular pelos morros da cidade e batizaram a Serra do Tabuleiro de Maciço do Jaburu.
Depois de percorrer 15 km chegamos a Roseira, às 17 horas, prontos para uma nova exploração.
José Carlos Ribeiro é licenciado em Teologia, pesquisador histórico em Teologia e colaborador da TV Galena e TerraXtreme Productions (London).
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