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Ano 3 | Nº 27 | Maio/junho de 2009
Ecologia
A vegetação do Vale do Paraíba Paulista em 1817 e em 2007 | Gerson de Freitas Junior*

O Centro de Estudos Ambientais do Vale do Paraíba-CEAVAP, mantenedor da Faculdade de Roseira – FARO e da Escola Fazenda Boa Vista – EFBV e o jornal O LINCE iniciam, nesta edição, uma parceria cultural para discutir  as questões ambientais, com ênfase em alternativas de preservação dos recursos naturais de forma sustentável e coerente com as necessidades de desenvolvimento econômico do país. Tratamos de forma mais acadêmica e menos emotiva as dificuldades inerentes às ações do Homem no meio ambiente, enquanto busca extrair do planeta matéria-prima, alimento e outros recursos para seu sustento e melhoria da qualidade de vida. Pesquisamos e desenvolvemos melhores e mais adequadas tecnologias ao invés do simples e corriqueiro discurso improdutivo, atuando de maneira civilizada e menos devastadora no manejo de nosso próprio meio.

Os artigos veiculados neste suplemento são de inteira e exclusiva responsabilidade de seus autores, profissionais qualificados, pertencentes ao nosso corpo docente, e nem sempre, refletem a opinião do CEAVAP.

 Resumo: Este texto trata da vegetação do Vale do Paraíba paulista, sob a ótica da Geografia Física, considerando a história econômica e o uso do solo na região. Chegou-se à conclusão de que, atualmente, a região necessita de esforços significativos para a recuperação ambiental, pois apresenta sérios problemas decorrentes do mau uso do solo e dos recursos naturais.

A vegetação do Vale do Paraíba Paulista em 1817 e em 2007 e a inserção da silvicultura do eucalipto”.

Quando os cientistas germânicos Spix e Martius estiveram no Vale do Paraíba em 1817, a região surpreendeu muito o especialista em botânica (Martius). Enquanto o litoral, a Serra do Mar (inclusive a Bocaina), as serranias e planaltos interiores estavam cobertos pela vegetação fechada das florestas atlânticas, no amplo Vale do Paraíba destacavam-se os campos, ou “prados verdadeiros” como Martius os chamou. O Vale possuía uma combinação de florestas e campos associados. Nas serras predominavam as florestas pluviais sempre verdes; no corredor valeparaibano, havia a floresta estacional semidecídua, campinas, campos inundáveis nas várzeas e manchas de cerrados. Os campos de altitude apareciam na Mantiqueira.

O viajante que percorre a região nos dias de hoje, por outro lado,  fica impressionado com a ausência quase total de florestas e o isolamento das matas remanescentes. Praticamente todos os setores do relevo foram transformados em extensas e melancólicas áreas abertas, cobertas com pastos. As matas atlânticas foram tão devastadas (substituídas pelos cafezais e depois por áreas de pastagens) que ficaram restritas quase que exclusivamente às áreas serranas e ao interior de sítios de proprietários que as preservam na forma de pequenas reservas. Além disso, o aumento das áreas utilizadas para a silvicultura de eucaliptos têm sido motivo de grande preocupação para os pequenos e médios proprietários rurais da região.

O Vale oferece muitas possibilidades de pesquisa sobre a recuperação da vegetação. Cada pequeno fragmento isolado, ou separado de outros por curtas distâncias, estudado em suas características próprias, ou em conjunto com os demais, pode ser tema de trabalhos envolvendo diagnóstico de condições ambientais, levantamento de espécies da flora e da fauna, biogeografia de ilhas, corredores ecológicos e readensamento da vegetação, efeitos de borda, estrutura da vegetação etc. O objetivo deste estudo foi a elaboração de um quadro das condições gerais da vegetação da região em duas épocas bastante distintas, segunda década do século XIX e o início do século XXI. A região apresenta extensas áreas rurais degradas, dominadas por pastagens empobrecidas e sub-aproveitadas, o que as coloca em condições prioritárias de receber reflorestamentos ecológicos e sistemas agro-florestais. Em uma região com fortes restrições topográficas e de solos bastante empobrecidos e fragilizados, expostos aos elementos climáticos, com pluviosidade de média a elevada, apresentando sérios problemas erosivos, é desaconselhável a utilização agrícola, principalmente na forma de extensas monoculturas, entre as quais os “eucaliptais”.

Gerson de Freitas Junior é Professor Geógrafo, formado pela Universidade de São Paulo-USP. Desenvolve pesquisas e leciona na área de Biogeografia e Conservação do Meio Ambiente. Atualmente, é professor do curso técnico em Meio Ambiente do CEAVAP e mestrando em Geografia Física pela USP.

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