Na sala obscura... tácita...
Tateio às cegas, uma estante que jaz num canto,
à procura de mim mesma...
Com as mãos trêmulas, tento pegar
um livro qualquer!
Quero entreter-me nas suas entrelinhas,
embriagar-me nos escaninhos das suas páginas
esmaecidas!
Estou à mercê de mim mesma...
Sento-me num sofá - solitário - como eu...
no canto da sala vazia.
Vou abrindo, vagarosamente, página por página,
a sondar o desconhecido...
Desperto da apatia, da inércia que tomava conta do meu ser,
até que, de supetão, o amor se revela!
Sem se dar conta, atropela a minha soledade,
e me segreda a sua alma, desnudando a sua essência!
Uma poesia de versos livres, soltos,
à deriva como eu...
Contando a paixão enclausurada,
no peito do eu lírico...
Amor proibido... resignado amor... amor pérfido!
Minha lágrimas inundam cada palavra, cada letra,
desvendando o óbvio!
_Eu sou o eu lírico! A poesia sou eu!
Minha voz cavernosa ressoa na sala emudecida:
_ Eu sou o eu lírico! A poesia... sou eu...
Profª Maria Marlene Nascimento Teixeira Pinto, Presidente da Academia Taubateana de Letras Profª do Curso de Letras da Faculdade Anhanguera de Taubaté – Unidade 1
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