Nº 30 | Novembro/ dezembro de 2009
Focus
Pedro da Cruz Salgado (Aparecida-SP) | Alexandre Marcos Lourenço Barbosa

Apesar de nascido em Arrozal, distrito de Piraí, no Vale do Paraíba fluminense, Pedro Salgado chegou aos seis anos de idade em Aparecida-SP e ali permaneceu por quase 50 anos até transferir-se para São Paulo. Foi em Aparecida que se fez músico instrumentista, maestro e compositor.

Filho de Bibiano da Cruz Salgado e de Dona Augusta Gonçalves Salga­do, descendentes de portugueses, Pedro Salgado nasceu em 13 de agosto de 1890.

Com apenas um a­no e meio de idade, ficou órfão de pai e teve que, em 1892, mudar-se, com a mãe e o irmão, para a cidade de Taubaté, onde residiam alguns familiares. Dois anos mais tarde, a pequena família transferiu-se para Quiririm, distrito da mesma cidade, a fim de morar com a avó que lá residia.

A convite do Cônego Antonio Marques Henriques, em 1896, o padrasto de Dona Augusta, que era jornalista, transferiu-se com a família para Aparecida tornando-se redator do jornal "Luz D'Apparecida", periódico de circu­lação semanal, dos mais antigos da região e de proje­ção nacional.

Em Aparecida, o menino Pedro Salgado, então com seis anos de idade, encontrou um rico ambiente musical que despertou o seu gosto pela arte e, poste­riormente, favoreceu o desenvolvimen­to de seu talento.

Imerso entre músicos de elevada capacidade de composição e execução, Pedro da Cruz Salgado passou a infância ouvindo composições primorosamente executadas por expressi­vos nomes da música local.

Encantado pela música, o humilde menino era presença garantida na audiência das bandas de música da cidade. Junto ao coreto, dificilmente perdia as retretas. A impertinência do petiz acabava sempre por vencer a mãe que acabava cedendo aos insistentes pedidos. Era quase impossível contê-Io em casa quando havia banda na rua.
Não bastasse ouvir, também acom­panhava os músicos comprazendo-se com um pequeno mimo: freqüente­mente pedia para carregar os instru­mentos dos músicos da banda e, ge­ralmente atendido, com galhardia e or­gulho os empunhava. Era comum ver o menino perfilado com a banda carregando um piston.

Em 1900, com apenas dez anos de idade, liderou um grupo de meninos e formou uma banda de música, se é que pode­ria receber este nome um grupo de moleques marchando pelas ruas de Aparecida soprando instrumentos feitos de talo de folha de mamoeiro, e batendo tampas de caçarolas e panelas.

A genialidade artística de Pedro Salgado começou a manifestar-se quando ainda era jovem. Contava com quinze anos quando o maestro e professor Antonio Silva, regente da Corporação Musical "Euterpe Aparecidense”, formava uma banda para jovens e buscava integrantes.
Seu contato com a cartilha musical foi breve. A precocidade do gênio fez com que tocasse as primeiras valsas e dobrados simples em trinta dias. Seu instrumento era o trombone. Porém seu talento já indicava que iria muito além da qualidade de um músico de primorosa execução. Com três meses de aprendizado, apresentou ao professor-maestro o primeiro dobrado de sua lavra “Estrela do Norte". O dobrado foi recebido com surpresa e sa­tisfação pelo mestre e pelos compa­nheiros de banda.

Estimulado por todos, desde então, não mais parou de estudar e compor.

Do trombone, logo passou ao piston, bombardino e outros instrumentos de sopro.

Portador de excelente embocadura, o pistonista Pedro Salgado conseguia subtrair do instrumento um som muito próximo ao da requinta.

Em 1915, aos 25 anos, Pedro Salgado formou, com músicos de renome na cidade, a "Corporação Musical São Benedito" que se manteve ativa por cerca de quinze anos.

Na mesma época, suas composições começavam a ganhar o Brasil. Os anúncios de venda de partituras publicados no jornal "Luz d'Apparecida" fazia com que muitas encomendas começassem a chegar, principalmente de pessoas ligadas a Bandas de Música do estado de Mi­nas Gerais.

Eram diários os pedidos, o que obrigava o maestro a compor ininterruptamente. Ele mesmo dizia:
"Às vezes, quando era gráfico em Aparecida do Norte, trabalhava o dia todo e varava a noite estudando e compondo. Faço uma valsa em quinze minutos e um dobrado em três horas. Já fiz mesmo três valsas numa só, a valsa do Vovô Pedro. Pra fazer isso é preciso de muito contraponto. E eu não estudei. Não é mesmo um dom de Deus?"

Pedro Salgado é considerado o "Rei dos Dobrados". Tinha uma predileção pela composição de dobrados e valsas. De suas 1126 músicas catalogadas, mais de quatrocentas são dobrados, quase trezentas são valsas e as demais abrangem uma variedade de hinos, fantasias, marchas, tangos, baiões, maxixes, mazurcas, fox, sambas, boleros, batucadas, polcas, choros, cateretês, rancheiras, etc...


(Clique na imagem para ampliar)

O maestro sempre fez música de uma vez. Não revisava nem passava a limpo. Enviou para os rincões deste país uma apreciável quantidade de músicas sem manter cópias. Estima-se que compôs mais de quatro mil músicas. Ele próprio confirma que se não chegou a isto, esteve próximo.

Em 1944, transferiu-se para São Paulo, filiando-se à União Brasileira de Compositores em 1946.

Quando ingressou na Ordem dos Músicos do Brasil, em outubro de 1961, suas músicas já eram tocadas em grandes e pequenas rádios de todo o Brasil. O nome de Pedro Salgado ecoava pelos quatro cantos do país e não havia banda que subisse num coreto sem tocar uma composição sua.

Por esta ocasião, o radialista Rubens Moraes Sarmento liderou a iniciativa de, através de seu programa na Rádio Bandeirante, iniciar um movimento nacional conclamando as bandas de música do país para contribuírem com a campanha para a confecção de uma "batuta de prata" a ser entregue ao grande maestro brasileiro. A campanha foi um sucesso. O respeito pelo mestre fez as doações ultrapassarem o valor necessário à confecção do troféu.

Na tarde de 22 de dezembro de 1965, no auditório da Pedreira Morro Grande, o mestre Pedro Salgado, após 60 anos dedicados à música, re­cebeu a terceira batuta de prata da his­tória da música brasileira. As anteriores foram presenteadas a Carlos Gomes e Heitor Villa Lobos.
Pedro Salgado, em vida, tornou-se nome de uma Lira Musical montada, em São Paulo, pelo seu grande amigo Rubens Moraes Sarmento.

Com o seu falecimento, em 28 de setembro de 1973, o “maestro das 4 000 músicas” deixou em seu extenso repertório um clássico, composto em 1920, que se tornaria o “hino das bandas de música” do Brasil: Dois Corações.

Dentre as bandas que tocaram Pedro Salgado, um especial destaque para a Banda de Música da Guarda Civil do Estado de São Paulo que produziu vários Long Plays contendo dobrados e valsas do compositor.

Alguns dobrados famosos:

Brasil Glorioso
Saudade de Monte Azul
Coração de mãe – 1929
Mestro João Massini – 1942
Aldemar Vidal – 1948
Trabuco – 1956
Arlindo Cocciufo – 1957
Maestro Waldir Rodrigues – 1960
Saudades do Arrozal do Piraí – 1960
J. da Silva Vidal – 1964
Rubens Moraes Sarmento – 1964
Salve Antarctica – 1965
Gloriosa Guarda Civil – 1967
Comendador Jorge Bittar – 1970
Presidente General Médici – 1972


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Legenda
  1. Randolpho José de Lorena (Aparecida/SP)
  2. João Gomes de Araújo (Pindamonhangaba/SP)
  3. João Gomes Júnior (Pindamonhangaba/SP)
  4. João Batista Julião (Silveiras/SP)
  5. Fego Camargo (Taubaté/SP)
  6. Pedro da Cruz Salgado (Aparecida/SP)
  7. Bomfiglio de Oliveira (Guaratinguetá/SP)
  8. Lyrio Panicalli (Queluz/SP)
  9. Maria Annunciação Lorena (Aparecida/SP)
  10. Elpídio dos Santos (São Luiz do Paraitinga/SP)
  11. José Maria de Abreu (Jacareí/SP)
  12. Pedro Walde Caetano (Bananal/SP)
  13. Dilermando Reis (Guaratinguetá/SP)
  14. Lourival dos Santos (Guaratinguetá/SP)

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