Compositor de cerca de mil e trezentas músicas gravadas, Lourival dos Santos é um ícone do gênero sertanejo no Brasil. Nascido na “terra das garças brancas”, no dia 11 de agosto de 1917, Lourival dos Santos é autor de verdadeiros clássicos da música caipira até hoje entoados por cantores de todo o país.
A música “Rio de Lágrimas”, popularmente conhecida como “Rio de Piracicaba”, composta com Tião Carreiro, seu principal parceiro, tornou-se verdadeiro hino nacional da música de raiz. Em 2005, foi incluída na trilha sonora do filme “Dois filhos de Francisco”, de Breno Silveira, um dos maiores sucessos de bilheteria da história do cinema brasileiro.
Lourival dos Santos se considerava um matuto. Nasceu na roça e como ele mesmo relatou: “derrubei mata, puxei enxada, cortei cana, [...] montei burro bravo, tirei leite, dormi em estrada [...] fui tropeiro, fui madrinheiro de tropa”. De alma cabocla, fonte de sua inspiração, colocava na singeleza a essência de sua poesia. “Um poeta que quiser fazer sucesso no mundo inteiro, fale de seu pedacinho de chão”, disse ele certa vez em entrevista concedida a um canal de televisão.
Aos doze anos, com a morte de seu pai, Lourival foi morar com o avô, em Lorena-SP. Em 1933, mudou-se para São Paulo, “um mal necessário” segundo ele, empregando-se em uma tecelagem e, a seguir, no comércio. São dessa época os seus primeiros versos.
“Meu Romance”, uma moda de viola e sua primeira composição, foi gravada em 1938, pela dupla Laranjinha e Zequinha sob o selo Colúmbia. A mesma dupla gravaria nova música de Lourival, “Goiânia”, em 1949.
Em 1950, casa-se com Jandira, irmã de Oduvaldo Viana e durante a frutuosa década que se iniciava vê gravadas “Roubei uma casada” (1953) com Vieira e Vieirinha; “Fogo de paia” (1954) com Laranjinha e Zequinha; e em 1955, “Violeiro sem medo” (1955) com Luisinho e Limeira; “Peito apaixonado”, com Palmeira e Biá; “Não interessa”, com as Irmãs Galvão, “Duas balas de ouro”, com Zizo e Zeca; “Falcão de Penacho” e “Marca de ferradura”, com Tonico e Tinoco.
Geralmente, compunha em dupla. Fossem modas de viola, polcas e congadas, ou pagodes, cururus, xotes, recortados e rasqueados, suas músicas eram quase sempre divididas com parceiros de escol na sua época. Teddy Vieira, Sulino, Raul Torres, Piraci, Jacó, Serrinha, Téo Azevedo, Jorge Paulo, Zequinha, Ado Benatti, Brinquinho, Francisco Lacerda, Sebastião Vitor e Riachão são alguns destes reluzentes nomes da música caipira daqueles anos que estiveram ao lado de Lourival em suas composições.
A partir de 1959, quando passa a compor com Tião Carreiro, que fazia dupla com Pardinho, começa a experimentar o vislumbre do sucesso. “Pagode em Brasília”, “Nove e nove”, “A viola e o violeiro” são alguns deles. Sua produção se intensifica. Com Tião Carreiro criou um ritmo em que a viola bate desencontrada do violão: o pagode.
Lourival sempre viveu de suas composições. "Passei a infância ouvindo a primeira geração da música sertaneja: Cornélio Pires, Capitão Furtado, entre outros. Eles são o facão, a enxada e a foice que abriu a picada. [...] Não deu para ficar rico, mas, relativamente, vivo bem, com minha mulher Jandira, com quem me casei em 1950, depois de seis meses de namoro”.
Em 1985, Rolando Boldrin gravou, no disco Empório Brasileiro, a composição “Mineiro de Monte Belo”.
No dia 19 de maio de 1997, em Guarulhos-SP, faleceu o fecundo compositor legando para a história extensa discografia.
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