Filho de imigrantes italianos, Lyrio Panicalli nasceu em 26 de junho de 1906.
Considerado um dos maiores compositores brasileiros de trilhas sonoras para cinema e novelas, Panicalli é autor de arranjos e orquestrações para mais de 70 filmes, a maioria dos musicais da Atlântida, além de dramas e pornochanchadas.
Seus estudos musicais começou, aos 12 anos, no Conservatório Musical de São Paulo. Jovem ainda, em 1922, passou a residir no Rio de Janeiro e lá freqüentou o Instituto Nacional de Música.
Maestro precoce, aos 20 anos atuou como regente e pianista na peça “Preto e branco”, da revolucionária Companhia Negra de Revistas, um grupo formado por negros e que contava com Pixinguinha em seu elenco artístico. Era 1926 quando o estreante apresentou-se no Teatro Rialto.
Ano seguinte, nouveau début: com Lamartine Babo compôs Saias curtas. E, solo, o samba Cai n’água.
No início da década de 1930, motivos familiares o fizeram retornar a Queluz. Ali fez efervescer a música criando e organizando bandas e coros. Anos depois, retornou a São Paulo onde trabalhou na Rádio São Paulo.
Reaparece no cenário carioca em 1938, contratado pela Rádio Nacional para estrear com sua orquestra no programa “Canção Antiga”. Neste mesmo ano, compôs a sua primeira trilha de cinema para o filme “Aves sem ninho”, de Raul Roulien. Era a gênese de uma longa carreira dedicada à composição de temas musicais para radionovelas, filmes e telenovelas.
Em 1942, a Orquestra Melódica Lyrio Panicalli grava o seu primeiro disco, um 78 rotações, interpretando o samba “Vale do Rio Doce”, de Alcyr Pires e David Nasser, uma homenagem cívica a Companhia mineradora recém criada pelo governo Vargas.
Panicalli teve músicas gravadas por Dick Farney, ... e fez arranjos para as grandes gravadoras da época: Odeon, Continental, Polydor,...
Depois de gravar inúmeras músicas ao longo da década de 1940, no início dos anos 50 foi um dos fundadores e tornou-se diretor artístico de sua própria gravadora: a Sinter, pela qual lançou Orquestra Melódica de Lyrio Panicalli, seu primeiro Long Play.
Na discografia de Panicalli constam 21 discos gravados. Poucas músicas, porém, são “de autoria”. Sua idiossincrasia artística era melódica. Em geral, o maestro arranjador limitou-se a gravar músicas de ocasião, confirmar sucessos e reproduzir clássicos, num procedimento de baixo risco e limitada criatividade.
No entanto, os discos A Revolução (1963) e Nova Dimensão (1965), gravados pela Odeon, podem ser considerados uma quase exceção ao despontarem a musicalidade original de Panicalli. Quase exceção não fosse a Lyra de Xopotó, banda que criou com o radialista Paulo Roberto (José Marques Gomes) para um programa de rádio de mesmo nome, ter gravado cerca de vinte músicas de sua lavra.
O maestro das novelas que também foi regente da Rádio MEC faleceu no dia 24 de novembro de 1984, em Niterói-RJ, aos 78 anos.
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