João Gomes Júnior, como ficou conhecido, assenta-se com seu pai, o autor de Carmosina, no pináculo da música valeparaibana como representantes de Pindamonhangaba.
Nascido em 23 de outubro de 1868, foi em sua terra natal que realizou seus estudos de primeiras letras. Primeiro, no Colégio Redenção e, depois, no Colégio Carlos Lessa. Seguindo para São Paulo, foi discente do Colégio Morton, fundado em 1880 pelo missionário da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos George Nash Morton. Santos Dumont teve breve passagem por esse colégio de ideais liberais.
Em 1884, então um rapaz de dezesseis anos, segue o os pais e irmãos para a Itália. O pai, maestro João Gomes, obtivera, por ato de benevolência do Imperador Pedro II, uma bolsa de estudos para aprimorar-se em música e composição.
Uma vez na Itália, João Gomes Júnior, iniciado em música pelo pai, estudou composição, com Cesário Domini Cietti, e piano, com Giuseppe Mascudi.
De volta ao Brasil, em 1888, fixou-se primeiro em Botucatu, onde lecionou música e deu alguns concertos e, depois, em São Paulo onde nasceram suas primeiras composições sacras e para teatro.
Como professor de música, ministrou aulas em importantes escolas da capital paulista. Para a cadeira de música da Escola Prudente de Morais foi nomeado em 1894. Após dois anos era a vez da Escola Modelo do Carmo, primeira escola formadora de professores de São Paulo. Em seguida, passou pela Segunda Escola Complementar, futura Escola Normal. Transferido para Guaratinguetá, lecionou algum tempo em sua Escola Normal, mas logo retornou para São Paulo para atuar na Escola Normal da Praça da República, nas décadas de 1910 e 1920.
Desse período são suas composições áureas. Em 23 de setembro de 1906, estreou no Teatro Santana, na rua 24 de maio, a sua ópera Foscarina muito bem recebida por público e crítica. Mais quatro anos e era a vez de La Boscaiola, obra de mesmo gênero e tão bem sucedida quanto a anterior. Acerca desta peça, o historiador Nicolau Sevcenko escreve: “... quando Washington Luís assume o governo do estado em 1920, ele naturalmente, como exige o costume, deve conceder uma ópera para celebrar a sua posse, só que dessa vez ela se chama La Boscaiola, que significa “A Sertaneja”, composta por um brasileiro, paulista, João Gomes Júnior, sobre temática caracteristicamente nacional, ‘onde o autor tenta com sucesso o debussysmo descritivo’.”
João Gomes Júnior ainda escreveu Severo Torelli, ópera que não chegou a ser encenada e Dom Casmurro (1922), a primeira obra operística do romance de Machado de Assis com libreto em italiano de Antonio Picarollo.
Em 1932, o maestro João Gomes Júnior ocupava o cargo de diretor do Instituto Musical de São Paulo, ocasião em que a eclosão da Revolução Constitucionalista foi o ensejo que lhe permitiu compor a marcha-hino Ser Paulista, com letra de Lia Carmem e dedicado a “bravos voluntários paulistas”.
Os anos dedicados ao magistério despertaram o interesse do maestro pelas obras didáticas, levando-o a escrever vários compêndios de música que somados aos hinos escolares, barcarolas, canções patrióticas e músicas para duetos, tercetos e quartetos de corda completam o repertório deste grande músico valeparaibano que faleceu em 19 de julho de 1963.
Fonte: Repertório Biográfico e Genealógico Paulista. João Gabriel Santana, São Paulo, 1987.
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