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Ano 3 | Nº 30 | Novembro/ dezembro de 2009
Focus
Dilermando dos Santos Reis (Guaratinguetá – SP) | Alexandre Marcos Lourenço Barbosa

A impressionante discografia, expressão de inesgotável originalidade e desmedida capacidade de trabalho, é a grande marca biográfica deste que foi um dos maiores violonistas brasileiros de todos os tempos e o principal vulto na transformação do instrumento num clássico.

Filho de Benedita Vieira Reis e Francisco Santos Reis, Dilermando nasceu aos 22 de setembro de 1916.
Os rudimentos musicais do violão recebeu de seu pai, aos dez anos, e, em dois meses, já havia aprendido tudo que o seu primeiro mestre tinha a ensinar. Aos quinze anos era reconhecido como o mais completo violonista local.

Com tamanho talento, a inevitável alternativa era a saída para um grande centro cultural, o que aconteceu em 1933, quando, a convite de um também violonista, Levino Albano da Conceição, mudou-se para o Rio de Janeiro. Deixado à própria sorte por Levino, Dilermando foi obrigado a obter o próprio sustento de aulas particulares ministradas em lojas de instrumentos musicais que mantinham professores de música como forma de atrair clientela. Nessa época começou a trabalhar na Rádio Guanabara até ser conhecido por Renato Murce que o levou como solista para um programa da Rádio Transmissora.

Em 1938, foi contratado como artista exclusivo da Rádio Clube do Brasil para protagonizar “Sua Majestade, o violão”, programa musical de grande sucesso.
Seu primeiro disco, um 78 rotações lançado pela gravadora Colúmbia, em 1941, trazia a valsa “Noite de Lua” e o choro “Magoado”. Era o início, aos 25 anos, de uma carreira consagradora do violonista que teve por hábito, no início, gravar composições de sua própria autoria. Três anos depois, mais duas músicas gravadas, agora pela Continental, selo que o acompanharia por toda a vida: “Dança chinesa” e “Adeus pai João”. Em 1945, dois discos, e em 1946 o fato se repete com uma exceção: grava a mazurca “Adelita”, de Francisco Tárrega. O choro “Vê se te agrada”, a valsa “Dois destinos” e a polca “Araguaia” foram gravados em 1948 e a década se fecha com mais dois discos, em 1949.

A década de 1950 foi consagradora. Vinte discos gravados, viagem aos Estados Unidos com apresentação na CBS de Nova York (1953) e, por influência de Juscelino Kubitschek, amigo e aluno de violão, assinatura de contrato com a Rádio Nacional do Rio de Janeiro (1956).

Dilermando Reis, ao longo de sua carreira, gravou mais de 60 discos, solando ou acompanhando grandes vozes da era dourada do rádio brasileiro. Como solista gravou canções, guarânias, boleros, calangos, mazurcas, fox-trotes, maxixes, polcas, baiões, e especialmente valsas e choros. Interpretou Francisco Tárrega, João Pernambuco, Canhoto (Américo Jacomino), Jair Amorim, Vicente Gomes, Pixinguinha, Villa-Lobos e outros.

Seu último disco, “O violão brasileiro de Dilermando Reis”, foi um Long Play, lançado em 1975, no qual interpreta doze composições de sua autoria.
Por ocasião do lançamento, Aramis Millarch comentou, em 05 de outubro de 1975:

“Dilermando nunca procurou novos caminhos da emepebê, preferindo o estilo da década de 30. Isso, entretanto não o invalida como artista sensível, dominando o seu instrumento com uma perfeição raramente alcançada por outros artistas e, principalmente, com boas idéias como compositor dentro do seu estilo.


(Clique na imagem para ampliar)

E justamente a faceta de Dilermando Reis compositor, pode ser sentida em seu mais recente elepê ("O Violão Brasileiro de Dilermando Reis", Continental, 1-01-404-111, setembro/75), produção de Ramalho Neto, que marca o seu reaparecimento fonográfico, após alguns anos de ausência. [...]Sem qualquer sofisticação, apenas em solo de violão, Dilermando Reis mostra ao longo de 12 faixas, com exclusivamente suas composições, a força deste instrumento tão brasileiro, tão sensível e tão harmonioso. Um disco seguro de um velho violonista, com um trabalho bonito e que merece ser ouvido para quem, sem preocupações modernosas, sabe admirar a boa emepebê.

Aos 60 anos, no dia 02 de janeiro de 1977, morre acometido por um colapso cardíaco e motiva o seguinte comentário do Jornal do Brasil: "Houve Dino e Meira, há João Gilberto - em cada mão, um estilo, uma época. Antes de todos, houve Dilermando Reis, morto aos 60 anos, de problemas cardíacos. Durante quatro décadas seu nome foi sinônimo de violão. Dilermando cumpriu o ciclo possível no Brasil a um músico de seu tempo. Fez o interior, a boemia, e as serestas das grandes cidades. Tocou nas lojas que vendiam partituras e instrumentos musicais. Foi artista de rádio, atração nos cassinos, formou sua própria orquestra. Compôs, gravou, ensinou".

Fonte: Dilermando Reis, sua majestade o violão. Vida e obra. Genésio Nogueira, Rio de Janeiro, 1. ed., 2000, edição do autor.

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Legenda
  1. Randolpho José de Lorena (Aparecida/SP)
  2. João Gomes de Araújo (Pindamonhangaba/SP)
  3. João Gomes Júnior (Pindamonhangaba/SP)
  4. João Batista Julião (Silveiras/SP)
  5. Fego Camargo (Taubaté/SP)
  6. Pedro da Cruz Salgado (Aparecida/SP)
  7. Bomfiglio de Oliveira (Guaratinguetá/SP)
  8. Lyrio Panicalli (Queluz/SP)
  9. Maria Annunciação Lorena (Aparecida/SP)
  10. Elpídio dos Santos (São Luiz do Paraitinga/SP)
  11. José Maria de Abreu (Jacareí/SP)
  12. Pedro Walde Caetano (Bananal/SP)
  13. Dilermando Reis (Guaratinguetá/SP)
  14. Lourival dos Santos (Guaratinguetá/SP)

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