Nascido aos 27 de setembro de 1891, o filho do músico Feliciano José de Oliveira, contrabaixista da Banda Mafra, e da lavadeira Maria das Dores da Conceição começou logo cedo, com o pai, o seu aprendizado musical.
Menino ainda, ingressou na Banda União Beneficente de Guaratinguetá para tocar bumbo. Mas foi sob orientação do Maestro Acosta que iniciou os estudos do instrumento que o consagraria como músico: o pistom.
Ainda rapazola, não devia ter mais de quinze anos, era integrante da Banda Mafra. Seu virtuosismo chamou a atenção de Frederico Gióia, presbítero responsável pela Banda do Colégio São José, que não tardou a convidá-lo para compor a banda de sua escola. Ali, o sacerdote salesiano ensinou a Bomfiglio as primeiras noções de composição e regência. De inteligência arguta e aplicada, o jovem pistonista aprendeu rápido e em pouco tempo já compunha o seu primeiro dobrado, Pe. Frederico Gióia, em homenagem ao mestre.
Em 1909, em virtude do fechamento do Colégio São José, Bomfiglio transfere seus estudos para o Colégio São Joaquim, em Lorena-SP, e de imediato integra-se a banda ligada à escola.
Mas foi a banda musical por ele criada em Piquete-SP que permitiria a radical guinada em sua carreira musical. Relata o historiador Antônio (Toni) Figueiredo Júnior que “...por volta de 1912, em uma apresentação dessa banda na cidade de Barra Mansa, o maestro e violinista Lafaiete Silva (irmão do famoso flautista Patápio Silva), impressionado com o talento de Bomfiglio, convidou-o a ser transferir para o Rio de Janeiro. Esse convite mudou sua vida”.
Uma vez na Capital Federal, tocava na Orquestra do Cinema do Ouvidor, cujo maestro e diretor era Lafaiete Silva. Temporariamente instalado na casa de Alfredo da Rocha Viana, Bomfiglio tornou-se grande amigo e parceiro de seu filho: Pixinguinha.
Habilitado ao magistério pelo Conservatório Musical do Rio de Janeiro, Bomfiglio também foi músico da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro sob a regência de Antonio Francisco Braga, o respeitado autor do Hino à Bandeira.
Após carrear um conjunto de bem sucedidas apresentações musicais em vários estados brasileiros, Bomfiglio de Oliveira, como integrante da Companhia de Revistas Jardel Jércolis, apresentou-se em Lisboa, em 1933, no Coliseu dos Recreios, uma sala de espetáculos popular, inaugurada em 1890. Retornou da Europa avalizado pela crítica especializada que o colocou entre os melhores instrumentistas do mundo.
No Brasil, várias orquestras (Rádio Phillips, Typica Victor e Victor Brasileira) e conjuntos musicais (Os Batutas e Diabos do Céu) contaram com a sonoridade metálica, límpida e suave, terna e brejeira, alegre e expansiva, original e audaz, do “maior pistonista do Brasil”, insígnia concedida, em 1930, pelo então Presidente da República, Washington Luís, ao presenteá-lo com um pistom de prata com inscrições em chapa de ouro.
Bomfiglio de Oliveira faleceu no Rio de Janeiro, no dia 16 de maio de 1940, antes de completar 49 anos de idade, deixando uma obra na qual estão incluídos maxixes, choros, valsas, marchas, modinhas e canções do mais fino apuro musical.
Em recente trabalho de recuperação da memória fonográfica brasileira, a Revivendo Músicas, de Curitiba-PR, reuniu num CD, lançado em 2003, vinte e uma composições do músico guaratinguetaense sob o título “Bomfiglio de Oliveira – compositor e trompetista de ouro”.
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