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Ano 3 | Nº 30 | Novembro/ dezembro de 2009
Ágora
A Pátria de Antonio de Sant'Anna Galvão | Flávio Marcondes Velloso

Batizado homônimo de seu progenitor, Capitão-Mor de Guaratinguetá António Galvão de França, nasceu o santo frei, terceiro filho de uma prole de dez. Época em que famílias abastadas tinham grande número de filhos, diferentemente dos tempos modernos, e viviam confortavelmente em suas fazendas.

Por ser um personagem tão ilustre e singular, hoje as cidades de Pindamonhangaba e de Cunha cogitam a sua cidadania natal. Sendo essa última hipótese bastante verossímil, por relatos de moradores centenários do Bairro dos Galvão, cuja tradição oral passa de geração a geração tal assertiva, inclusive fundada em documento descritivo que estaria nos arquivos da Torre do Tombo, em Belém, Portugal, como pela lógica histórica, uma vez que, assim como a imagem de “Nossa Senhora Aparecida” foi encontrada em Guaratinguetá - Aparecida pertencia a Guaratinguetá -, também Cunha fazia parte de nossa cidade - a localidade de seu nascimento seria então, como era costume (a história comprova esse costume), a sede da fazenda da família, na Freguesia do Facão, onde o santo frei teria nascido e vivido a sua tranqüila infância. Período em que as parteiras iam nas casas das fazendas realizarem o seu trabalho, tornando desnecessário que as mulheres grávidas viessem para a cidade ou se locomovessem, com grande dificuldade, a outros locais.

Assim, os partos eram feitos em casa, in casu, na própria fazenda da prodigiosa família, onde teria o menino Antoninho crescido.

Em respeito à Verdade e a todos os fiéis de Frei Galvão esse é um fato da história que merece apuração, reservada ao futuro.

Entretanto, do ponto de vista da universalidade do amor e da caridade, não se pode dizer que Frei Galvão pertencia a esse ou àquele lugar, pois sua obra transcendeu as fronteiras do mundano.


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Atendia a quem quer que fosse, não era bairrista ou segmentário. Para as suas intersecções não pedia carteira de identidade e tampouco a profissão de fé dos seus enfermos.

Nem se pode apregoar qualquer outro monopólio em função de sua obra. Felizes os que conviveram com o homem. Felizes os que receberam as suas orações e humanitária ajuda. Paradigma que, de resto, permanece vivo a todas as religiões e não somente ao catolicismo, nomeadamente.

Ser “religioso”, do latim “religare”, significa estar nascido na Terra, porém, “religado”, em sentimento, à Divina Obra, indiferente a essa ou aquela instituição dos homens. Frei Galvão, com o seu desprendimento de vida, doou-se de tal sorte a conquistar o respeito unânime da família brasileira e mesmo da aldeia global a que estamos inseridos. Pertence à humanidade.

Ademais, dividiram a Terra em mundos para ignorarem melhor a realidade que criaram. Mas a Terra continua a ser um só planeta e todos os homens continuam a ser irmãos.

Post Scriptum

A apuração dos fatos reais traria ainda mais progresso ao Vale do Paraíba, nomeadamente às cidades de Guaratinguetá e Cunha. Não vemos de outra forma.

A exemplo do Shopping Buriti que "iria prejudicar o comércio da cidade" e hoje ambos estão aí, pujantes, somando mais divisas ao nosso querido município de Guaratinguetá, mais empregos etc. O progresso, permissa venia, deve caminhar com a História!

Flávio Marcondes Velloso, escritor, antigo professor de Direito da Universidade Lusófona de Lisboa, membro da União Brasileira de Escritores, do Instituto Pimenta Bueno da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, da Associação de Direito e Economia Européia da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, do Colegiado Buddhista Brasileiro, autor de “Direito de Ingerência por Razões Humanitárias em Regiões de Conflito”, “Tribunal Internacional de Justiça. Caminho para uma Nova Comunidade”, dentre outros.
Blog http://fmarcondesvelloso.blogspot.com
Endereço eletrônico fmarcondesvelloso@terra.com.br

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