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Ano 2 | Nº 22 | Outubro de 2008
Educação
O Sistema Educacional na Alemanha e as Oportunidades para os Jovens|2ª parte|Francisco Reis
Se o aluno deseja seguir uma Universidade na área de Ciências Exatas, Biológicas ou Humanas, na 8ª. Série, uma terceira língua deve ser escolhida.Se a escolha for na área de Humanas, as escolas oferecem aulas e matérias opcionais no período da tarde. Pode ser uma outra língua opcional (não oferecida normalmente) ou matérias como Robótica, Música, Especialização em Esporte, Teatro, Arqueologia, Cartografia, entre outras.

   Nosso filho mais velho, Raphael, teve que passar por um sistema de transição para estrangeiros que ainda não falam Alemão chamado “Übergangsklasse”, em que ele pode desenvolver seu alemão antes de entrar num “Gymnasium”. Tudo gratuitamente é claro. O Raphael começou no Gymnasium há duas semanas. O interessante é que na reapresentação dos alunos, em que ele era o único novo aluno, todos tiveram que responder numa folha de papel de qual matéria eles gostavam mais. O Raphael disse que gostava mais de  “História”  e, quando o professor leu a resposta dele, todos já sabiam que se tratava do Raphael, pois na Alemanha os alunos da 6ª. série ainda não tiveram aulas de História. Engraçado!

   Para entrar na Universidade, as notas do último ano (12º.) assim como uma prova final são necessários, porém a prova é única em toda a Alemanha, e o aluno, com os créditos adquiridos, pode escolher a Universidade que tiver vagas para aqueles “créditos”. É um grande e único vestibular para todos.

   Na Universidade (totalmente pública), o aluno, ou seus pais, precisa pagar quase 500 Euros por semestre se tiver condição financeira de pagar. Se uma família tem três ou mais crianças, não é preciso pagar nada. Além disso, se os pais não podem pagar o estudo dos filhos, além de não precisarem pagar a faculdade, o governo dá uma bolsa de aproximadamente 600 Euros mensais para que o aluno possa se manter durante os estudos (moradia, roupas e alimentação). O que significa que, a partir dos 18 anos, ou quando aluno ingressar na faculdade, um jovem que freqüentou o Gymnasium pode e na prática já se torna independente financeiramente dos pais. “Mini-Jobs” existem aos montes para os jovens estudantes (baby-sitter, garçons e outras funções nos restaurantes, além de ensinar alemão aos estrangeiros) o que aumenta ainda mais a independência, a responsabilidade e o padrão de vida. Não existe um limite pré-definido para a quantidade de bolsas a serem oferecidas anualmente. Basta conseguir provar que a família não pode sustentar o aluno, que se ele ou ela tiver “créditos” suficientes, a bolsa será fornecida.

   Depois de formado, se você for alemão (ou estrangeiro naturalizado) e recebeu uma bolsa de estudo, pode pagá-la à vista com 50% de desconto, ou então pagar mensalmente baseado no seu salário. Se você não conseguiu emprego, o governo procura emprego para você; e se nem o governo encontrar empregos pra você, um salário-desemprego (mesmo sem nunca ter trabalhado) e uma moradia são disponibilizados. Você só não pode recusar um emprego oferecido pelo governo.

   Três aspectos importantes a serem enfatizados:

   1. A educação na Alemanha não é apenas acadêmica, mas educa o aluno para ser um cidadão alemão e respeitar a cultura e as leis do País (extremamente conservador).

(Clique na imagem para ampliar)

Do ponto de vista acadêmico (extremamente tradicional), até agora não percebemos nenhum aspecto que seja superior ao ensino acadêmico de uma razoável escola privada no Brasil. Nossos filhos têm ido muito bem mesmo com o pouco tempo de contato com a língua alemã e tendo sido apenas “razoáveis bons alunos” no Brasil.
  
   2. Se alguns acham que o atual governo brasileiro é “assistencialista”, não imaginam como na Europa os governos assistem seus cidadãos. Mesmo havendo muitos imigrantes que vêm para Alemanha para aproveitar-se do “assistencialismo”, o governo alemão investe na educação do cidadão e espera que ele saiba aproveitar bem toda a oportunidade e assistência dada. Aproveitadores existem em muitos lugares do mundo e aqui na Alemanha também, mas o retorno obtido pela oportunidade dada para a grande maioria é mais importante. O “Fome Zero” brasileiro está muitos anos atrasado se comparado com todos os benefícios do Primeiro Mundo. A Educação do cidadão realmente compensa!

   3. O alemão, em geral, não é preconceituoso como às vezes se costuma dizer. Do que eles realmente não gostam é dos imigrantes que vêm para a Alemanha apenas se aproveitar do assistencialismo do governo alemão, que é muito bom e é dinheiro do contribuinte.

   Nos próximos artigos, podemos abordar outros aspectos culturais e de benefícios que um governo pode oferecer aos cidadãos. Vamos ver que a educação (não só acadêmica) é a base pra todos os outros serviços públicos gratuitos funcionarem bem.

Francisco de Assis Menezes Reis é engenheiro e reside em Munique, na Alemanha


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