| Em 1976, através do casal de artistas Noelice e José Mário Peixoto Costa Pinto, conheci o gravador alemão Karl Heins Hansen Bahia, considerado o maior mestre da xilogravura do século vinte. Hansen era formidável e simples. Era um artista por excelência e admirador de todos, não importando a questão social de cada um. Freqüentei diversas vezes seu atelier, aliás, desde os tempos de Itapoan em Salvador e depois na Fazenda Santa Bárbara em São Félix, onde o mestre viveu seus últimos tempos. Era simplesmente fantástica a sua figura e, ao lado da esposa Ilse Hansen, ficava maravilhado quando se encontrava com artistas brasileiros. Aí a conversa se estendia ao longo das horas, regadas à cerveja Bols e aos charutos das tabacaleras da Bahia, os quais Hansen admirava muito. Segundo José Mário Peixoto Costa Pinto, “Conhecendo Hansen Bahia como conhecemos, podemos afirmar, sem a menor dúvida, que faz parte do quadro de humanistas de escol como Lorca, Neruda, Hussel, Siqueiros, João XXIII, Jorge Amado, Eremburg, Portinari e outros. A obra de Hansen Bahia é uma das melhores deste século, o que o coloca entre os mais notáveis artistas da humanidade”. “Admirável artista cujas xilogravuras são pensamento e sentimento expressos em linhas e volumes plásticos”, disse Menotti Del Picchia, quando prefaciou o álbum de gravuras, “Drama do Calvário”. No livro “A Gravura Brasileira Contemporânea”, José Roberto Teixeira Leite, afirma que “... Hansen sentiu verdadeiramente a Bahia, deixou-se tomar de amor por seus habitantes, casas e ruelas mal freqüentadas. Marcou-o a tal ponto a Bahia que, ao regressar, em 1959, à Alemanha, passou a assinar Hansen–Bahia, numa sentida homenagem à terra que o acolhera”. “Grandiosa e inspiradora é a obra de Hansen, objetiva e nítida, tão marcada e tão eloqüentemente vivida numa intensidade de ritmos, num puro fascínio de emoções, de vibrante calor humano contidas na sua aguda sensibilidade poética e na extraordinária força de sua plasticidade essencialmente gráfica”, escreveu o grande crítico da arte baiana, Wilson Rocha. Em 1977, Hansen recebe o Título de Grau de Cavaleiro da Ordem do Mérito da Bahia. |
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A gravura desse mestre possui uma grande riqueza de detalhes, em que figuras bailam harmoniosamente num contexto perfeito, a arte tem, como tônica, a imensa capacidade criativa de Hansen, que infelizmente nos deixou em 1978. Hansen deixou seu maior legado para a Cidade de Cachoeira: uma Fundação, onde foram reunidas cerca de três mil matrizes de suas xilogravuras, além de sua biblioteca de arte, pinturas e esculturas de vários mestres da arte brasileira e mundial. A Fundação Hansen Bahia é a vida desse grande artista que, sem limites, se entregou à Bahia de corpo e alma, deixando pra ela um legado através do qual se pode vivenciar toda a obra desse “brasileiro nascido em Hamburgo”. Assim, pois, Hansen não morreu, apenas passou do estágio terrestre ao “celeiro das almas criativas”, e, aqui na terra, continua sua obra fascinante em meio àqueles que um dia tiveram o privilégio de admirar de perto a sua arte que, para todo o sempre, aguçará os olhos e tocará profundamente o coração de todos que tenham a oportunidade de enxergar um HANSEN–BAHIA. Anterior 1 | 2
Gilberto Gomes Artista Plástico, Professor e Crítico de Artes gilbertogomes@jornalolince.com.br bahiahoje.com.br/gilbertogomes |
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