| Certa vez Bertold Brecht escreveu: “Há homens que lutam um dia. São Bons. Há aqueles que lutam muitos anos. Esses são melhores. Mas há aqueles que lutam uma vida inteira. Esses são imprescindíveis”. Assim foi Karl Heins Hansen, nascido em Hamburgo e que, após conhecer o Brasil, se apaixonou pela Bahia e a ela se entregou de Arte e Espírito, num casamento eterno e então, o mestre passou a se chamar Hansen Bahia. Sua arte não seria mais a mesma, pois os encantos da Terra dos Orixás, as belas negras, a história, o monumental casario com seus becos e vielas e a poesia de Castro Alves serviriam de grande inspiração para suas expressivas xilogravuras. Começou sua arte na Alemanha, no ano de 1948, quando, autodidaticamente, descobre técnicas expressionistas que emprega nas gravações (técnica onde o artista grava em baixo relevo sobre madeira, posteriormente imprimindo cópias em papel através de prensa manual) de suas xilogravuras. Com muita bagagem, fixou temporada na Itália, Suécia e Inglaterra, onde realizou suas primeiras exposições, com elevado sucesso. Em 1950, esse alemão que era marinheiro, desembarcou em São Paulo, onde passa a residir. Conheceu a Bahia em 1955, onde desenhando, pintando e gravando, por lá permaneceu até 1958. Viaja novamente à Europa e quando retorna, segue novamente para a Bahia. Foi professor da Escola de Belas Artes de Salvador, descobrindo talentos, dentre os quais, Calazans Neto, Noelice Costa Pinto e Hélio Oliveira. A Bahia seria uma fase definitiva na vida desse alemão e lá fincaria sua âncora, para nunca mais sair. Instalou seu atelier em Itapoan, juntamente com sua companheira Ilse Hansen, que também era artista. |
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Estive lá algumas vezes e pude comprovar a genialidade desse grande artista. Logo na fachada havia uma inscrição de Jorge Amado dizendo: “Nesta casa encontrareis a alegria de viver e o humanismo, a paz e o trabalho criador, a doçura de Ilse e a força de Hansen, o amor da Bahia”. Hansen realizou centenas de exposições pelo mundo todo. Os maiores museus de arte do universo abrigam suas obras ricas por sua esplêndida interpretação. Dentre as grandes exposições do artista, destaco a Iª e a VIª Bienais de São Paulo, 1951 e 1961, III e IV Salão Nacional de Arte Moderna, 1954 e 1955, exposições individuais no Museu de Arte de São Paulo, nos anos de 1950, 1953 e 1966, Museu Nacional de Belas Artes, Rio, 1952, Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1954 e 1956, nas Galerias Bonino, Buenos Aires, 1954 e 1955, Galeria Bonino, Rio, em 1964, Galeria Ambiente, São Paulo, em 1957, Galeria Antígona, Buenos Aires, 1958, Galeria Torcoliere, Roma, em 1959, dentre outras centenas de exposições. “Hansen Bahia também editou e lançou vários álbuns com suas xilogravuras, dentre eles, os mais populares, “Drama do Calvário”, 1952, ‘‘Navio Negreiro”, 1957, “Flor de São Miguel”, 1958 e “Die Nibelungen”, de 1963. Nesse mesmo ano, viaja para a Etiópia, tornando – se professor de xilogravura da Escola de Belas Artes de Adis-Abeba. Nos meados de 1968, retorna com toda força criativa ao Brasil, lançando o álbum “Portas e Janelas”, onde juntamente com sua esposa Ilse, na Galeria A, em São Paulo, realiza mais uma de suas grandes exposições. Numa carta enviada a Ilse, Jorge Amado diz: “... Hansen voltou à cidade da Bahia e dessa vez para sempre. Trouxe tudo quanto acumulara mundo afora, a sabedoria, a técnica, o artesanato e a grande arte de sua gravura. Trouxe, ademais, o sorriso de Ilse, sua tranqüila certeza, sua doçura e também sua arte. Porque na casa recém-construída na praia – uma das mais belas casas da Bahia – Ilse retomou seu trabalho e hoje mostra pela primeira vez no Brasil, toda a alegria de sua criação, toda a graça, todo o maravilhoso mundo (mágico como a África que ela viveu quase infantil em sua inocência) que extravasa de seu peito para a madeira e para a gravura. Apóstolos, feras, meninos, imperadores, cangaceiros, Europa, África, Brasil, tudo marcado pelo amor a vida, pelo amor ao ser humano”... 1 | 2 Próximo |
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