Ano 2 | Nº 24 | Dezembro de 2008
Grafias
Reinações no reino da palavra | Wilson Gorj
Amável cachorro: simpaticão.
O ônibus vem nos BUSSCAR.
Edgar Allan Poë foi à Disneylândia.
Vai, idade ingrata! Traga-me os anos perdidos...
Duas grávidas no banho: uma mãe lava a outra.
U’a   e’a   co’eu   a   letra   e’e.
Em meio a nada, e-mail a tudo.
Feia enjoada. Detestava feijoada.
O autor da Odisséia foi o mero poeta grego.
Roubou a cedilha da força e obteve a forca.
De tão gorda suprimiram o “pê” daquela porca.
Na palavra “boné” só a letra “e” está de boné.
Gastou a vista. Os óculos foram pagos à prestação.
Em terra de olho quem tem um cego...  Errei!
Bicha socialmente correta: biba com moderação.
Aquela dor no peito, quem dera fosse poesia...  Mas era crônica.
Chovia no silêncio.  Salvo a letra “e”, todas as outras se molharam.
Dois itens não podem faltar na cesta básica do traficante: pó e farinha.
Para o Zé Povinho, Fernando Pessoa é simplesmente um João Ninguém.
Quando Levi tá “alto”, sente-se mais leve: levita alto. Quanto Levi tá são, não há levitação.
Dona Gramática passou por uma Secretaria e deixou um acento.
A Secretária agradeceu.
O azul. O verde. O amarelo. O vermelho. O preto. O branco.
Na feira das vogais, havia muitos O’s coloridos.
Para o AMOR é fácil ir a ROMA. Basta virar-se do avesso.
O amor vem de nós.
Por incrível que pareça, há quem nos compre.
Achou um par de luvas no porta-luvas do carro.
Ficou intrigado. O que aquelas luvas faziam ali?
Seu ronco ressonava em uníssono com o motor do velho refrigerador.
No silêncio da casa, os dois pareciam dormir em unissôno.
OXIL nunca havia se visto no espelho.
Quando se viu, achou-se um LIXO.
Acorda, Brasil! – gritou.
Deram-lhe a corda. Com a qual se enforcou.
Atiraram um ovo.
– Joga a mãe! – esbravejou o ator.
Acertaram-lhe com uma galinha.
Ivo despencou do oitavo andar.
Milagre! Ele ainda está v... Ivo?!
Estava.
O saltimbanco cedeu à voz de sua má consciência:
– Assalte um banco!
O público que nunca teve encontrou na cadeia.
Ele não gostou da cocada.
Mas cá entre nós, quem gostaria?
Um coco pesado daqueles...

em tarde...  ser
à noite...  ser
a manha  é ser
o que somos
à qualquer hora.

A verdadeira marca dos cigarros
Sousua  Cruz.

e-manchete
ladrão@cofre_de.comercial

e-mial
Dsecuple mnhia dselxeia.

Redundância
“aspas”

Covinhas
Tão tímida, que corria entre parênteses.

Caçada de honra
E tu, barão: onde és conde?

Contagem eletrônica
Um e-mail. Dois. Dois e meio...

Epígrafe do saxofonista
Aqui jazz.
Poeta e outras coisas
POETC.

Botecocô
Eta barzinho de merda!

Músico cobrador-de-ônibus
Vive trocando notas.

Simples cidade
É para onde quero levar a minha escrita.

amo_ fatal
A mo_te.

Convencido
Se me clonarem, viro doce: bom-bom.

Baba bebum
Adorava “bebê”.

Ironia naval
Guerra no Pacífico.

De luxo
Carinhos bem carinho$.

Micrococonto
Literalmente, uma merda!

Pacto
Livro-o da estante.
Você me livra de ser ignorante.

SOS
Gritou por socorro. Sua boca parecia um “O” entre os soldados da SS.

Chapeuzinhos de aniversário e línguas-de-sogra
21 GARÔQÔTÔQÔS    AÔÔQ   REDÔQÔR  DÔÔQ  BÔQÔLÔQÔ

Notas
Dó-lar
Ré-al

Gramas
Aquela vaca pesa quatrocentos quilos e “trezentas” gramas.
Trezentas e vinte. Ela acaba de abocanhar outras tantas no gramado.

Poluição
No mar há o peixe-espada, o peixe-palhaço, o peixe-dragão. Sempre há o peixe-alguma-coisa.
No rio, também. No nosso, por exemplo, já pesquei o peixe-bota, o peixe-pneu...

Paisagem votorantim
...eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto-eucalipto...

Vogais
Olha o tamanduá!
Olha o tamanduê!
Olha o tamanduí!
Olha o tamanduô!

Olha o tamanho do U!

Wilson Gorj
Escritor, autor do livro Sem Contos Longos

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