Nova Fase | Ano 1 | Nº 06 | Junho de 2007
História
Capelães e párocos: subsídios para a História Religiosa de Aparecida | Benedicto Lourenço
  Aparecida passa oficialmente a ter este nome em 26 de julho de 1745, quando da inauguração pelo Pe. José Alves Villela da Capella de Apparecida. A capela, que mais tarde foi ampliada e reformada tornando-se a chamada Basílica Velha foi erguida tendo em vista o encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição, chamada a “Aparecida”. Com certeza já existiam aqui os primeiros habitantes espalhados por sesmarias, desde 1644 e cujo atendimento religioso e administrativo se dava na Vila de Guaratinguetá. Entre os primeiros párocos de Guaratinguetá, com registros documentais, que atendiam os então habitantes mencionados estão:

  1. Padre Antonio Bicudo de Siqueira, filho de Domingos Gil de Siqueira e de Dona Margarida Bicudo Romeiro, neto do Capitão Antonio Bicudo Leme, fundador de Pindamonhangaba e vigário em Guaratinguetá antes do padre Vilella.

  2. Padre Félix Sanches Barreto, filho de Félix Barreto e de Dona Ignácia Barreto. Era casado com Dona Maria Pedroso e teve uma filha, Dona Izabel, ficando viúvo entrou para um seminário e ordenou-se. Também foi vigário em Guaratinguetá antes do Padre Vilella.

  3. Padre José Alves Vilella, nascido em 1696 e falecido em 1779. Foi vigário de Guaratinguetá mais de uma vez, sendo a primeira em 1725 e por muito tempo ficou na região como Vigário de Vara. Conseguiu a doação de terras de Margarida Nunes Rangel, de Lourenço de Sá e de Fabiana Fernandes Telles e com autorização do Bispo do Rio de Janeiro contratou o genro de Margarida Nunes Rangel, Capitão Antonio Raposo Leme, fazendeiro e antigo vereador em Pindamonhangaba, para, com seus escravos, construir a antiga capela.
  Durante cerca de quatro décadas a Capella d’Apparecida é dirigida pelos vigários de Guaratinguetá. A partir de 1780 ou 1790, conforme nos noticia o Pe. Júlio Brustoloni em seu livro História de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, até 1821, aparecem nos documentos dois capelães efetivos e alguns coadjutores na Capella.

  4. Padre Francisco das Chagas Lima foi capelão anterior a 1800.

  5. Padre Francisco Xavier de Gusmão, filho de João Peres de Gusmão e de Catharina Maria, era assim, neto do Capitão André Bernardes de Brito e de Margarida Nunes Rangel, (doadores do Morro dos Coqueiros à Nossa Senhora Aparecida verbalmente e, depois, Margarida Nunes Rangel, por escritura, em 06 de maio de 1644), bisneto de Francisco Nunes da Costa e de Lucrecia Leme Barbosa, trineto do Capitão Mateus Leme do Prado e Beatriz Barbosa do Rego e tetraneto do Capitão Diogo Barbosa do Rego e Branca Raposo, primeiros povoadores e proprietários de terra desta localidade.

  6. Padre Lourenço Marcondes de Sá, nasceu em 1779 e faleceu em 1838. Era filho de Antonio Marcondes do Amaral, patriarca de toda a família Amaral no Brasil. Foi doador das terras compreendidas entre o ribeirão dos Moraes e o ribeirão do Sá para Nossa Senhora Aparecida, em 1744. Padre Lourenço, além das funções eclesiásticas, exerceu os cargos de vereador, vice-presidente e presidente da Câmara de Guaratinguetá (1834-35). Em 06 de abril de 1835 (Livro nº 2 da Câmara Municipal de Guaratinguetá, p. 79) pede licença para retirar-se para a Corte, como Deputado à Assembléia Geral. Com recursos próprios conseguiu o calçamento com pedras do pátio onde hoje está a praça da Basílica Velha.
  Foram capelães substitutos os padres: Salvador Moreira da Costa, Manoel da Costa Pinto, Joaquim Gomes Duarte e Vitoriano José dos Santos Reis.


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  7. Padre Joaquim Pereira Ramos era capelão em Aparecida, em 1853, quando elevado a pároco, por um curto período de tempo, já que a Capela passara a Freguesia. Nesta época (1854) foi criada a primeira escola pública.

  8. Padre Antonio Luís dos Reis França, nascido em 17 de junho de 1823, era filho do Capitão Antonio Luís dos Reis e de Ana Galvão de França. Foi capelão entre 1853 e 1856, sendo destituído. Foi também protetor e tesoureiro da Capela de Aparecida. Dedicando-se à política tornou-se Vereador e Presidente da Câmara de Guaratinguetá por longo tempo. Foi Deputado à Assembléia Provincial por várias legislaturas. Era fazendeiro no bairro Itaguaçu, tendo alforriado seus escravos. Faleceu em 1908 e deixou filhos.

  9. Padre Manoel Benedito de Jesus foi capelão de Aparecida e Vigário de Guaratinguetá em 1856, tendo sido também Vereador.

  10. Padre Francisco Monteiro César (Pe. Mine), era filho de Manoel Monteiro César, vereador em 1842, e de Francisca Monteiro das Chagas. Estudou no Liceu de Taubaté e completou estudos em São Paulo. Fazendeiro, foi coadjutor em Guaratinguetá e Capelão em Aparecida.

  11. Frei Dr. Joaquim de Monte Carmelo nasceu em 1817, na cidade de Salvador-BA. Entre 1876 e 1888 esteve afastado do sacerdócio, vindo para Guaratinguetá, aonde durante doze anos, assumiu a continuidade das obras da antiga capela que seria transformada na Basílica Velha. As dificuldades exigiram o sacrifício de suas economias e patrimônio. Tendo se reconciliado com o Bispo, celebrou a missa de inauguração, em 24 de junho de 1888. A partir daí foi designado Capelão. Faleceu em 1899 e recebeu a homenagem em vida, aqui em Aparecida, com a denominação da Rua Monte Carmelo. Foi Cônego em São Paulo.

  12. Cônego Joaquim Pereira da Fonseca, no início de 1892, é Intendente Municipal em Guaratinguetá. Residia em Aparecida e, possivelmente, foi capelão substituto.

  13. Cônego Antonio Marques Henriques. Vindo de Portugal, dedicou-se ao jornalismo. Foi proprietário de mais de um jornal, sendo “Luz D’Apparecida” o mais importante, circulando por mais de 40 anos. No antigo Ribeirão das Chácaras, quis estabelecer serviços hidráulicos e elétricos, em 1896. Era emancipacionista da primeira hora, desde o século XIX, e teve a felicidade de ver Aparecida emancipada, falecendo em seguida. Deve ter sido capelão efetivo ou substituto. Com a vinda dos Redentoristas acabou tendo suas ordens suspensas.

  14. Padre Claro Monteiro do Amaral, depois Monsenhor, nasceu em Pindamonhangaba, fez seus estudos no Seminário do Caraça, em MG, e foi ordenado sacerdote em 1881. Era filho do Capitão Bento Monteiro do Amaral e de Maria Francisca de Mello. Foi professor em São Paulo. Nomeado Vigário de Aparecida, em 28 de novembro de 1893, permaneceu no cargo por mais de um ano. Foi assassinado pelos indígenas, anos depois, no sertão do Rio Feio, quando em serviço de catequese.

  15. Padre Lourenço Gahr (1829-1905) foi o primeiro pároco Redentorista oriundo da Alemanha. Em sua tarefa teve grandes dificuldades por não ter domínio da língua. Permaneceu pouco tempo como pároco em Aparecida.

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