Nova Fase | Ano 1 | Nº 12 | Dezembro de 2007
Grafias
Poesias | Dora Vilella
Desconhecido

Meu mistério, acalento-o.
Alimento-o e ele me presenteia
com seus sobejos, suas migalhas.
Na minha ordem, sinto falta dele,
então vivo com ele,
rasgada, dilacerada,
mas eu o amo, porque ele me identifica.
Meu mistério, meu enigma,
meu impulso vital...
Não o conheço, não dialogamos.
Vislumbro-o em relâmpagos raros
e tênues arrepios.
Convivemos e ele me nomeia,
ele me diferencia,
ele me reverencia.
Sofro e sangro,
mas agradeço as veredas
que ele me prenuncia.
Meu mistério, metade de mim,
que sou ele inteira.

Dora Vilella

Escritora
Sina

Qual desejo, qual anseio buscas?
Identifica-o, para enumerá-lo.
Será apenas o começo de outros que virão,
aparentemente desiguais,
ilusoriamente eficazes,
falsamente brilhantes.
O desejo humano é sempre o mesmo,
e o teu vazio não se preencherá,
ainda que o alcances.
Mas, há que se ter desejos
e correr ao seu encalço,
prá se cumprir a vida
e nela permanecer,
sorrindo ou chorando,
e ainda ansiando
prá se ter sempre desejos
de se desejar.

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